terça-feira, 17 de julho de 2012

PORQUE EU DANÇO



Há exatamente dez anos entrei pela primeira vez numa roda de dança, e... dela não saí mais. Assim caminho na vida, e por onde ando, danço com o coração cheio de alegria celebrando a vida em todas as suas manifestações.Muitas vezes não encontramos palavras para expressar sentimentos como a gratidão, a plenitude, a consciência de fazer parte do Todo, a perda, o vazio, a busca, ou a realização do momento presente. E então, em algum lugar, uma roda se forma onde pessoas se dão as mãos. Esta roda respira, se move, para o centro, para trás, para os lados, no sentido contrário, balança... São movimentos que embalam também nossa alma. Juntamente com a música e o canto, somos tocados suavemente em nossos níveis mais profundos, onde a paz e a alegria têm morada eterna. Ao dançar, percebo no semblantes dos outros integrantes da roda um ar descontraído, jovial, sereno e feliz, como se tivessem tido acesso à fonte de Luz. E é justamente este contato com o nosso centro – a fonte – de onde tudo emana que nos traz a cura. Estas forças tomadas de um forte sentimento de gratidão por ser capaz de perceber e vivenciar esta unidade.Durante minhas inúmeras viagens ao Rio, agraciada pela belíssima paisagem serrana, vou observando a manifestação da Dança na Natureza que nos cerca. As nuvens dançando e criando sempre novas e belas formas; os pássaros em bandos riscam mandalas coloridas ao som de alegres gorjeios e cantos; as folhas ao caírem das árvores dançam magnificamente o bailado do Réquiem antes de sua transformação; a fumaça das fogueiras traça alegres figuras num movimento leve e criativo, e as crianças dos pequenos lugarejos de mãos dadas cantam festejando a pureza e a inocência da vida.Através da dança meditativa entro em contato com os mistérios da vida, ocultos apenas para os sentidos externos, e uma profunda paz se instala.Aqui fora a dança continua se refletindo no dia a dia. O ritmo aos poucos vai se fazendo mais presente em todas as atividades; a atenção e a concentração nas pequenas e grandes tarefas levam a uma harmonia maior; a tolerância conosco mesmo e com o próximo vai se tornando mais atuante.De coração agradeço todos os mestres da dança que me guiaram até aqui, e que me transmitiram sem palavras o amor a esta arte tão plena e universal. Agradeço baixinho a todos a quem um dia dei as mãos numa roda, e visualizo com o coração vibrante a humanidade inteira abraçando a Terra, dançando ao ritmo da Grande Dança Cósmica, e entoando Paz, Paz, Paz.

                                                                Por: Patrícia Azarian (extraído do Boletim da danças Circulares Nº 1)