sábado, 15 de dezembro de 2012

BERNHARD WOSIEN E AS DANÇAS SAGRADAS

Bernhard Wosien, bailarino alemão, (1908-1986), nascido na Alemanha, é considerado o pai das Danças Sagradas. Foi bailarino, pedagogo da dança, coreógrafo e artista plástico destacando-se na pintura e no desenho (vide ilustrações neste boletim). Pesquisou as rondas antigas da Europa e reavivou o espírito sagrado das danças no século XX. As danças tradicionais e dos povos foram por ele denominadas de sagradas porque expressam a sabedoria da Alma dos Povos e as qualidades espirituais. Transcrevemos a seguir alguns de seus depoimentos pessoais:

“... Um novo capítulo da minha vida começou quando decidi dedicar minha atenção às danças de roda e às danças dos povos.

Cada recomeço esconde um segredo e me pareceu como se brilhasse em mim uma luz completamente nova quando, no início dos anos cinqüenta em Dresden, assisti à apresentação do conjunto folclórico iuguslavo Kolo.

Ali estavam primeiro, o balançar-se e o saltar entusiasmados, ligados um ao outro em círculos e correntes, o ímpeto arrebatador e a alegria vital das seqüências rítmicas dos passos, e também as melodias delicadas e íntimas das canções de amor dos pastores dos Bálcãs. O que eu vivenciei foi à força da roda.

O encontro com o grupo folclórico forçou o bailarino clássico em mim a reaprender. Senti-me tocado de imediato pela espontaneidade, que a dança popular exige, pela rítmica muito mais fortemente diferenciada, que permite ao pé tocar o chão de uma forma completamente diferente.

...Deixei-me arrebatar pela vibração das danças populares, contagiado pelo fogo maravilhoso da comunidade, que realmente dava para sentir fisicamente, em carne e osso. Trespassado por esta nova atmosfera sob céu aberto, senti a brisa fresca dos ventos, me abri para o júbilo das vozes e vi os rostos, vi neles suas vidas.

...A arte popular nasceu da comunidade social autóctone. Ela surge na região, nas casas e nos campos das famílias, fora, nos lugares comuns a toda a comunidade. Esta arte é introvertida. As pessoas se encontram num círculo, se olham. Elas não precisam de espectadores nem tão pouco contam com eles. Logo reconheci o fundo religioso e ritual destas danças e essa compreensão foi ficando cada vez mais forte.

É preciso dançar estas danças, para descobrir isso; é preciso se tornar muito presente para nos apropriarmos delas, para sentir e vivenciar seu efeito curativo e terapêutico.

Então se abre, para o bailarino, a sua origem religiosa, o caminho para a unidade e a solução da passagem do singular para o comunitário, para um estar junto em vibração. “E fluem, então, energias aos dançarinos, vindas de uma fonte que continuamente se regenera”.




(Extraído do livro “DANÇA um caminho para a totalidade” Editor Triom)

Obs: os destaques em itálico foram feitos pela redação