Depoimentos


Tela de OrlandoTeruz
Ao assumir, perante o grupo Roda de Luz, escrever uma parte da história das danças circulares sagradas e da formação do grupo, trouxe à tona uma série de experiências vividas, carregadas de muita emoção e júbilo, pequenos detalhes que haviam sido esquecidos, mas que tiveram grande importância no meu caminhar destes últimos anos...

Tudo começou numa esquina movimentada do centro do Rio de Janeiro, esperando o sinal fechar para poder atravessar.  De repente, veio em minha direção Patrícia Azarian, velha amiga dos tempos de colégio, e que não via há muitos anos...  Depois dos abraços, como vai, tens filhos? Tenho 4.  Eu moro em Teresópolis;  eu, em Friburgo.  Que coincidência, ambas fomos para a Serra ...  O que tem feito?  Eu aposentei, e você?  Eu estou dando aulas de alemão e dançando.  Aliás, você podia vir.  Eu?  Nem morta, não danço nada!  Aí nos despedimos apressadas, prometendo que não deixaríamos passar tantos anos para nos reencontrarmos.

Alguns meses depois, ao saber que a mãe de Patrícia havia fraturado o colo do fêmur, liguei para ter notícias e ela então me convidou para participar de uma vivência no Mangalan, em Friburgo, que ela estava ajudando a organizar.  Era o Caminho da Vida, focalizado pela Sabira.  De repente me vi dizendo sim, vou participar.  Senti que era uma porta que estava se abrindo e que poderia me ajudar a encontrar uma saída para a depressão que havia tomado conta de mim, depois que havia aposentado.   

E, no verão de 96, lá fui eu para Friburgo, com 2 saias na mala e uma enorme expectativa sobre o que seriam estas danças.  O programa foi maravilhoso!  Eu tinha me esquecido o quanto eu gostava de música e o quanto ela me toca!  Pudera!  Anos e anos trabalhando em escritórios frios, com música ambiente sistematicamente interrompida pelos telefones tocando. 

Ao término do programa eu já tinha me inscrito na Sangha (associação que cuidava da divulgação das danças no Brasil e da preparação de focalizadores) e na primeira turma que Patrícia abria como focalizadora.  Quero registrar meus agradecimentos a Sabira e a todos os dançarinos que carinhosamente direcionaram meus passos para que eu pudesse acompanhar o grupo!  A partir deste dia, eu passei a ir toda semana para Friburgo, durante 2 anos, até que a turma foi extinta.

A minha dificuldade era grande, principalmente no que tange à lateralidade e concentração.  Eu errava muito, mas tinha muito entusiasmo porque era o melhor momento da semana para entrar em contato comigo mesma, e com a ajuda das músicas e dos passos dançados durante séculos por várias tradições, ouvir o que meu interior queria me dizer e decidir sobre os rumos que minha vida iria tomar.  Quantas portas se abriram enquanto eu dançava...

Neste período tive a oportunidade de dançar com Marianne Inselmini, grande mestra suíça  que orientava os trabalhos de danças no Brasil.  Nos encontros promovidos pela Sangha meu marido também dançava e este foi um motivo maior de união entre nos dois.  Num dado momento a Sangha foi extinta e Sabira fez sua opção pelas Danças da Paz Universal, ficando as Danças Circulares sem nenhuma organização que possibilitasse sua maior divulgação.  Pouco depois, se extinguiu a turma de Friburgo e ficamos no aguardo de retomar os trabalhos quando tivéssemos um número mais significativo de participações.

Em 1998 Patrícia começou um grupo novo no Rio de Janeiro e me convidou para participar.  Neste momento, eu já estava comprometida com uma série de outros cursos e o dia da dança conflitava com meus compromissos.  Até que consegui participar de alguns encontros no Largo do Machado no final do ano.  E foi onde conheci Judith e Dorothy e retomei o prazer de dançar.  Logo sentimos uma grande identificação e eu tomei a decisão de não mais parar de dançar. 

Em Fevereiro de 99, veio a Marianne para o Brasil apresentar o programa de Danças Gregas.  Foi um grande momento e foi quando, no Bicho do Mato, o grupo do Rio se conheceu melhor e se uniu pensando em formalizar um grupo e montar um encontro de fim de semana para aprofundar o programa apresentado com a Patrícia.  Tenho certeza que a energia das danças gregas nos ajudou muito neste momento a concretizar o que antes era um sonho.

De repente surgiu o local, que foi o Sítio do Ingá, em Teresópolis.  Elaboramos programa, expedimos cópias para todos os ex-dançarinos de roda,  e formamos um grupo com integrantes antigos e novos, do qual nasceu a Roda de Luz.  O evento ocorreu de 21 a 23/5/99.  Baseados no sucesso do evento e ainda sob o efeito realizador da energia grega, ousamos trazer para o Rio de Janeiro, Joyce Dijykstra (?) em agosto do mesmo ano, para ministrar o encontro Danças com os Anjos. 

Hoje, o Roda de Luz tem um grupo permanente de colaboradores e está formando focalizadores dentre seus membros.  Têm programados alguns encontros com focalizadores internacionais e com a Patrícia Azarian, que continua sendo a grande orientadora dos trabalhos e a nossa grande mestra.

Eu sinto imensa satisfação ao ver seu crescimento e maturidade no trabalho, a firmeza na transmissão do seu saber e espero poder continuar colaborando com o grupo dentro das minhas possibilidades, apesar de não poder participar de todos os trabalhos e encontros.

                                                                                               Louise Anna Nadjarian Bonitz

  
                                             
Temos todo um paraíso nos esperando onde a luz ilumina a realidade última das coisas. E essa, como legítimo espelho de Deus, devolve à natureza toda inocência de um amor que constrói, alimenta e se sacrifica por tudo que há de belo, puro e inefável. Assim o amor, neste paraíso a ser conquistado por nós, é um verda­deiro arquiteto, pois engendra a essência das coisas visíveis e invisíveis como sua mais nobre criação. É um processo imanente que pouco se visualiza e muito menos se sente.

Na harmonia da dança sentimos no âmago um dos filhos legítimos do amor. Quem será? Na dança as pessoas o celebram nos sorrisos, nos olhos e a cada passo. É a alegria que se materializa no ato de dançar, não como um fato isolado pelo tempo, mas como uma gigantesca força de coesão que une os diversos gostos, desejos, vontades, em um único momento especial, onde o amor, sentinela do presente, vigia a todos que dançam.

O mais impressionante é que a música faz-nos sentir dentro de nós mesmos a cada instante, e mais perto de um paraíso a ser conquistado tanto pela amizade como pela alegria de se estar de braços dados.

POR RONALDO SOUZLOREFLEXÃO APÓA "DANÇA DO SOL" DE B. WOSIENREALIZADA NA FUNDAÇÃO DE ENSINO SUPERIODE SÃO JOÃO DEL REI, MG





   Registro de minha participação nas rodas no interior da Inglaterra
(Setembro/2002)

fonte:http://forum.esporte.uol.com.br
Passei uma semana na Inglaterra no mês de Setembro e aproveitei da ocasião para participar de duas rodas de danças. Foi lindo! Entrei em contato com Anne Armstrong, uma entusiasmada focalizadora, e fui recebida de braços abertos. Duas vezes veio me buscar nas estações de trem de pequenas cidades no condado de Kent para compartilhar de seus encontros de danças. Os grupos me acolheram com muita alegria, surpresos com a visita de alguém vindo de tão longe para dançar com eles. Foi comovente, pois me senti tão a vontade como se estivesse em casa, numa IMENSA RODA girando do Brasil à Inglaterra e da Inglaterra para o Brasil... Sim, reconheci o mesmo espírito, o aperto de mão, as expressões sorridentes, o centro iluminado e florido, a simplicidade, a energia gerada e envolvente, e a mesma sensação de bem estar quando terminava uma dança.
Compreendi e constatei que
                      as danças circulares sagradas formam uma grande família humana.


                                                                                       Dorothy